A CAPTURA

30/08/2017 12:45

 

Depois da passagem do Império para República, no interior paulista, foi criada uma polícia especializada em perseguir e prender os ladrões de cavalos.

Essa polícia era conhecida e chamada por toda a população de “Captura”, que criou a fama de agir com bastante austeridade.

Mas, para perseguir o enorme bando de criminosos não podia haver outra solução, senão agir com muito rigor.

A “Captura” era formada por dezenas de polícias que saiam da capital paulista, depois de intenso treinamento, indo para o interior nas mais variadas direções.

Uma dessas unidades era sediada em Rio Preto, cidade conhecida na época como “boca do sertão”, encarregada de capturar os bandidos daquela extensa região que chegava até as barrancas dos rios Tietê e Paraná.

A “Captura”, em seu trabalho, se socorria das informações de toda a população para a localização dessas quadrilhas.

Acaso os bandos de ladrões tivessem passado por ali, a “Captura” procurava obter as informações necessárias na tentativa de localizar e capturar essa bandidagem.

A “Captura” em suas viagens, quando de suas passagens por Gonzaga de Campos, um lugarejo que se localizava nas proximidades de Rio Preto, fazia paradas em um eucaliptal ali existente, requisitando alimentos junto aos fazendeiros da região.

 As suas expedições sempre tinham êxitos e, em seu retorno, conseguiam aprisionar bandidos que eram encarcerados na Cadeia Pública de Rio Preto, aguardando a sentença final da justiça.

Os cavalos roubados pelos infratores eram levados nas proximidades de uma vila situada em Catanduva.

Mas, via de regra, esses bandidos, depois de condenados, cumprindo a pena aplicada pela justiça, quando soltos, voltavam a delinquir.

Acaso a captura localizasse os lugares em que os cavalos roubados estavam, apreendia-os, devolvendo-os aos seus legítimos donos.

Esses ladrões de cavalos, existentes em grande número todos os locais, com o tempo foram substituídos pelos ladrões de veículos que, via de regra, encaminhava-os aos países americanos fronteiriços onde eram vendidos por preços vis, sendo que essas práticas criminosas até hoje persistem.

Os ladrões de carros, nos últimos anos, continuam em plena atividade, dando muito trabalho para as polícias estaduais e federais.

 

JARBAS MIGUEL TORTORELLO