Lua
Já era noitinha e, da janela do meu quarto, passei a observar o movimento da lua.
Olhava atentamente para ela, mas não via a tão falada figura de São Jorge.
Naturalmente, essa visão de santidade era fruto da imaginação do homem de outrora, pois o atual já havia ali pousado, não encontrando nenhum vestígio da existência por ali desse santo.
O astronauta, acomodado em sua nave do alto da lua, dissera ao mundo que via daquele ponto distante somente um circulo azul no horizonte, que talvez fosse a terra, mas não encontrara no céu nenhum vestígio de um deus.
Essa afirmação partida da boa de um bolchevique, deixara na ocasião a terra estarrecida, pois se imaginava que ali seria uma pousada eterna sonhada pelo homem.
Mas, no entretanto, continuei a observar o movimento da lua que, meio envergonhada com aquela asseveração feita pelo viajante espacial, escondia-se, mais e mais, ainda assustada, até desaparecer completamente do olhar deste terráqueo.
Jarbas Miguel Tortorello