O FILHO DE CRIAÇÃO
- Não sei como fui ficar com você, não sei onde eu estava com a cabeça, dizia a mulher bastante nervosa.
- Eu e o Cláudio, vivíamos sossegados, sem preocupação, mas, depois disso, minha vida virou um quiproquó.
- Zezinho, já são dez horas e você não fez ainda as lições de casa passadas pela professora Dona Bete.
- Tenha mais educação com os vizinhos, hoje a Maria Doceira veio aqui e você não a cumprimentou.

- Quando você vai para a escola, nossa casa fica sossegada durante muitas horas. Depois, bem, depois, são outros quinhentos.
- Zezinho, limpe as solas dos sapatos quando entrar na sala, porque com eles barrentos a casa fica emporcalhada e lambuzada.
- Não tenho empregada para me ajudar, uma vez que o seu pai, trabalhando como taxista não ganha o suficiente, por isso tome muito cuidado para não dar trabalho na limpeza.
- Avise o seu pai que o almoço já está na mesa, podendo acordá-lo que já descansou o suficiente.
- Se você não criar juízo não sei o que vai fazer quando ficar grande.
Na verdade, Zezinho achava que era mais feliz quando estava internado no orfanato, onde com os seus colegas não eram cobrados como na casa em que vivia.
Assim, viveu Zezinho em seu novo lar, durante anos e anos.
Mas, no alvorecer de sua juventude, com um diploma nas mãos, conseguiu empregar-se no escritório de contabilidade do Seu Nenê.
Sua vida mudou completamente, entendendo a sua mãe de criação que ele encontrara estabilidade em sua vida.
Ele casou com uma costureira que trabalhava bastante, tendo uma boa freguesia, costurando vestidos e mais vestidos, calças e mais calças, camisas e mais camisas.
Juntado o que ambos ganhavam, conseguiam com folga pagar as suas contas e despesas.
A importância que sobrava era depositada mensalmente em uma conta de poupança em nome de ambos.
Zezinho, com o que sobrava ainda pagava uma prestação do fogão a gás de sua mãe de criação, ajudando Cláudio a pagar o veículo novo para ele trabalhar como taxista.
Dessa forma, Zezinho surpreendeu os seus pais de criação, tornando-se uma pessoa de relevo na sociedade.
JARBAS MIGUEL TORTORELLO