O "FOOTING"
O “FOOTING”
O “footing” em quase todas as cidades brasileiras do interior, a partir da década de quarenta, deixou muitas saudades aos adolescentes daquela época e era realizado, a partir das dezenove horas, às quintas-feiras, aos sábados e domingos, numa rua da praça da igreja e, por volta de vinte horas, a maioria dos seus freqüentadores costumava ir ao cinema para assistir ao filme do dia.
O “footing”, embora ocorresse de uma forma natural, demonstrava ser bem organizado, ficando os jovens em pé, junto às calçadas, observando as moças, sempre agrupadas em duas ou três, vestidas com os seus melhores trajes, desfilando pela parte central da rua, em um vai e vem contínuo.
Exatamente nesse local, no vai e vem do “footing”, aconteciam os “flerts” entre moças e rapazes que, na maioria das vezes, transformavam-se em namoros, noivados e futuros casamentos.
Terminada a sessão cinematográfica, por volta de vinte e duas horas, havia novamente um pequeno e improvisado “footing” que não durava muito, apenas algumas voltas para uma rotineira despedida.
As moças, em seguida, dirigiam-se para as suas residências, algumas delas já acompanhadas pelos namorados, e os rapazes procuravam os clubes, bares e botecos, onde permaneciam por longo tempo, tomando uma cerveja, um refrigerante ou mesmo um “traçado”, com o natural acompanhamento de uma porção de azeitona, queijo, salame, presunto ou mesmo saboreando um “tostex” ou um sanduíche.
Evidentemente aqueles que levavam as namoradas para casa, voltavam invariavelmente para a companhia dos seus colegas que tinham ficado pelos botecos, bares e clubes, não dispensando também uma bebida bem geladinha, sorvida religiosamente em pequenos “goles”, até que o dono do estabelecimento resolvesse cerrar as portas anunciando o fim da noite.
Não somente as moças eram bem trajadas, desfilando no “footing” com suas melhores roupas, mas também os rapazes se apresentavam com terno e gravata e com os sapatos sempre bem engraxados.
Era comum também, principalmente aos sábados, depois das vinte e duas horas, o comparecimento dos freqüentadores do “footing” aos clubes onde se realizavam brincadeiras dançantes abrilhantadas por eletrolas ou músicos amadores da própria localidade.
Todavia, mensal e invariavelmente, era tradicional a realização de bailes patrocinados pelas agremiações estudantis, pelos clubes e associações das cidades, com vendas antecipadas de ingressos e de mesas aos associados e demais interessados, sempre abrilhantados por orquestras famosas, tais como a de Nelson de Tupã, a Continental de Jaú, a Sul América de Jaboticabal, a Pedrinho de Guararapes, a Cassino de Sevilha, a do Arley de Catanduva, a do Silvio Mazzuca, a Tabajara, além de tantas outras existentes nos mais variados recantos brasileiros.
Jarbas Tortorello