OS CARROS

04/04/2017 11:37

 

Os primeiros carros de passeio no Brasil eram todos de origem européia, sempre sujeitos a defeitos a serem sanados pelos mecânicos.

Cada empregado da oficina mecânica apresentava as mãos sujas de graxa, com rosto também lambuzado, trajando um avental também lambrecado, sendo tido como um especialista em consertos.

Se havia um médico especialista em doenças do coração, havia um mecânico especializado em distribuidor da condução, se tinha um médico que se dedicava à clínica geral, também havia um mecânico que se dedicava a consertos gerais e assim por diante.

Os mecânicos, naquela época, quase não faziam cursos de especialização como atualmente, aprendendo mais pela prática e pela experiência, a vida diária era incumbida de dar as suas lições de aprendizagem.

Valia muito a experiência, aliada a umas pitadas de ciência.

O jovem com apenas doze anos de idade, terminado o curso primário, já era encaminhado a uma aprendizagem na oficina com os mecânicos mais velhos.

 

Os mecânicos abriam os “capôs” dos carros, saindo à procura do motivo pelo qual o carro, ao dar a partida, sempre engasgava.

Daí a meia hora o carro era entregue ao cliente, com a notícia que o defeito já havia sido removido.

No dia seguinte, ao retirar o carro da garagem, ele continuava engasgando.

Diversos bambas foram consultados, havendo a necessidade da troca de diversas peças.

O dono do veículo somente ficou livre do defeito, quando o vendeu e, nessa ocasião, felizmente ele não engasgou ao dar a partida.

O feliz vendedor sempre encontrava com o comprador, sendo que este falava que o carro era uma “jóia”.

Ora, acredita-se mesmo que o carro não gostava do seu antigo dono, obrigando-o a gastar o que tinha e o que não tinha para a sua manutenção.

Mas, o vendedor sempre contente, dizia que, em tempo, tinha se livrado daquele “elefante branco”.

 

JARBAS MIGUEL TORTORELLO