PAMONHAS E CURAUS
“Seo Lázaro” era telegrafista na estação de Gonzaga de Campos, um vilarejo próximo a Rio Preto.
Era casado com “Dona Felícia”, com quem tinha 06 (seis) filhos, que era uma verdadeira escadinha de crianças, todos morando em uma casa de alvenaria pertencente à Estrada de Ferro Araraquara.
Como as despesas eram muitas, “Dona Felícia”, além de fazer várias marmitas para trabalhadores que vinham de todo o Brasil, para trabalhar na construção da via férrea entre Mirassol e Rubinéia, fazendo ainda pamonhas e curaus para vendê-las, além de outros doces, mostrando-se uma excelente mestra cuca
.
Uma vez por semana, a sua filha Tereza, com dez anos, mas um irmãozinho, com oito anos de idade, faziam as entregas das deliciosas pamonhas nos bares e restaurantes de Rio Preto, além de outros fregueses.
Eles iam e voltavam de trem, levando na ida duas cestas de pamonhas, entregues às freguesias as encomendas feitas.
Os pagamentos eram feitos à vista pelos compradores, que eram os donos dos bares, docerias e restaurantes, além de alguns profissionais liberais.
O casal arrecadava boas quantias em réis, ajudando em muito nos pagamentos das despesas mensais.
O “Seo Lázaro” plantava milho em um grande terreno abandonado e em um pasto que era atravessado pelo pequeno Rio Piedade.
“Dona Felícia”, além de fazer pamonha, também preparava curaus servidos como sobremesas para a família.
No quintal deles, havia um poço artesiano e um forno para assar pães, bolos, doces e outros comestíveis, além de muitos frangos caipiras, alimentados pelos milhos colhidos, mas já debulhados.
As festas havidas na comunidade eram sempre organizadas por “Dona Felícia”, não faltando nelas sucos e guaranás, além de uma grande variedade de doces caseiros, como os saborosos bijus feitos de mandiocas.
JARBAS MIGUEL TORTORELLO