QUINTA - COLUNA
QUINTA-COLUNA
Carlinhos, voltando da escola, apareceu em casa com alguns ferimentos, dizendo para o pai que tinha sido agredido por alguns colegas de classe, além de terem proferido contra ele muitos xingamentos, inclusive tachando-o de “dedo-duro” e de “quinta-coluna”.
O menino dizia para o pai que sabia que “dedo-duro” era uma pessoa delatora, mas que desconhecia o significado da expressão “quinta-coluna”, ouvida por ele pela primeira vez durante os desentendimentos havidos com os seus companheiros.
O pai, com um ar doutoral, disse para o filho que a expressão era originária da guerra civil espanhola ocorrida entre os anos de 1936 a 1939, explicando ainda que o General Francisco Franco, que era um revolucionário, para destruir o esquerdismo reinante no país, avançou contra Madri, capital da Espanha, em quatro colunas, sendo auxiliado nessa tarefa por militares alemães e italianos.
Na verdade, em Madri, centenas de espanhóis já tinham organizado internamente uma outra coluna, comandada por Emílio Mola, que ficou conhecida mais tarde pelo nome de “quinta-coluna”, que tinha como finalidade, utilizando-se do terrorismo, minar a resistência republicana, facilitando o ingresso na Capital das quatros colunas revolucionárias comandadas por Franco.
Esse grupo revolucionário, composto de quatro colunas que atuavam de fora para dentro e uma outra coluna que atuava de dentro para fora, finalmente, depois de sangrentas batalhas, foi o vencedor dessa guerra civil, acabando a Espanha por ser governada por Francisco Franco, que implantou ali uma ditadura com longa duração, não faltando, ao longo dos anos, perseguições àqueles que não concordavam com a implantação do novo regime na Espanha.
O pai ainda dizia para Carlinhos que o escritor Ernest Hemingway, que recebera o Prêmio Nobel como autor dos clássicos “O velho e o mar” e “O sol também se levanta”, estava em Madri durante a guerra civil espanhola na qualidade de correspondente dos jornais americanos, oportunidade em que escreveu o livro “A quinta-coluna”, onde relata os horrores das batalhas e os sofrimentos e as frustrações da população.
A expressão “quinta-coluna”, continuava explicando o pai ao filho, daí em diante, passou a significar uma pessoa traidora, ficando assim conhecida, principalmente nos centros europeus.
Carlinhos, bastante triste, dizia para o pai que não merecia ter sido agredido pelos seus colegas, considerando que não se portara como uma pessoa traidora ou mesmo como um “quinta-coluna”, porque a única coisa que fizera foi comunicar ao professor que, durante as provas de final de ano, alguns colegas haviam colado, conseguindo com esse expediente não recomendável melhores notas para as suas aprovações.
JARBAS MIGUEL TORTORELLO