ZÉ BACHEIRO

14/12/2016 12:16

Zé Bacheiro era filho de um antigo coronel da época imperial, sendo verdadeiro que essa honraria, “o coronelato”, custava dinheiro para a pessoa, mas também lhe outorgava algumas vantagens, principalmene quanto ao seu ‘”status” social.

 

Zé Bacheiro, não querendo viver somente com a honraria do seu pai, resolveu estudar para veterinário, uma profissão rendosa naquele tempo devido ao grande número de militares que mandavam no início do governo republicano.

Mas, na verdade, ele mais faltava às aulas na faculdade, preferindo gastar as mesadas recebidas do seu genitor em loucas noitadas.

Era, sem dúvida, um assíduo freqüentador das madrugadas em sua cidade capixabana.

Um primo de Zé Bacheiro, que residia em importante cidade nordestina, chamado Severino, resolveu visitá-lo durante uma semana.

Esse parente era um solteirão de carteirinha, também amante  das noitadas demoradas e sem fim, frequentando os bailes de forrós, de xaxados, de baiões, de frevos, de arrasta-pés e demais bailes do sertão nordestino.

Zé Bacheiro, mentindo, dizia para o seu primo, que nada sabia sobre esse submundo madrugador, mas, excepcionalmente, naquela noite aceitaria o convite para saber como era essa novidade  em sua vida pacata e regrada.

O capixabano tratou, a fim de não ser reconhecido pelas bailarinas do lugar, de colocar um chapéu, um lenço colorido em seu pescoço e  óculos com lentes escuras, ficando uma figura bem diferente do verdadeiro Zé Bacheiro.

Mas, chegando na hora da folia e da farra, ele foi prontamente reconhecido pela mulherada da madrugada, que dava vivas para ele, ficando daí para a frente liberadas as cervejas e outras bebidas.

Naquela noite-madrugada, ambos ficaram bastante embriagados, voltando para casa quando o sol já havia raiado.

Tanto o anfitrião, como o convidado, ficaram com ressaca durante alguns dias e, passadas as bebedeiras, o primo despediu-se, voltando para a sua cidade nordestina.

Convidou Zé  Bacheiro para visitar a sua cidade nordestina, onde haviam  moças muito bonitas,  que os homens podiam  participar dos seus bailados e que elas desfilavam  com  muita graça e sensualidade.

JARBAS MIGUEL TORTORELLO